Estenose lombar degenerativa tem solução minimamente invasiva
“Endoscopia descomprime a raiz nervosa e devolve qualidade de vida ao nosso paciente com 79 anos”, afirmam Edward Robert e Renato Bastos, cirurgiões ortopédicos e especialistas no procedimento.
Esse caso vai mostrar que é possível tratar a coluna, em fases, com elevada experiência cirúrgica, planejamento, profundo conhecimento anatômico, segurança e respeito ao tempo do paciente.
Vale ressaltar, que os procedimentos endoscópicos para tratamento das estenoses degenerativas do canal lombar, tanto centrais, quanto laterais — incluindo, quando indicado, a técnica over the top (procedimento cirúrgico minimamente invasivo, realizado por endoscopia) — representam alguns dos mais complexos e tecnicamente desafiadores da cirurgia endoscópica da coluna.
Histórico clínico
Paciente, 79, ao ser atendido no ambulatório da OrtoCenter, queixava-se de dor crônica intensa na região glútea esquerda, face póstero-lateral da coxa, região lateral da perna até o nível do tornozelo.
Os sintomas foram associados à claudicação neurogênica (dormência ou fraqueza nas pernas que surge ao caminhar ou ficar em pé).
Na ocasião, o paciente apresentou quadro compatível ao comprometimento da raiz L5, à esquerda.
Exames de imagem
Sem resposta ao tratamento conservador, os doutores Edward Robert e Renato Bastos, como parte da rotina de investigação, solicitaram ao paciente a Eletroneuromiografia, Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada da coluna lombar com reconstrução óssea tridimensional.
Diagnóstico
Segundo os médicos, os exames evidenciaram:
- No nível das raízes L4 e L5, importante estenose da região póstero-lateral do canal lombar;
- No recesso lateral, secundária à associação de artropatia degenerativa facetária, hipertrofia do processo articular, presença de cisto sinovial (cisto facetário);
- E demais alterações degenerativas compatíveis com a faixa etária, determinando compressão significativa da raiz descendente de L5.
Observaram também, total correlação entre os achados clínicos e os exames de imagem e neurofisiológicos.
“Anteriormente, o paciente manifestou sintomatologia semelhante no membro inferior direito e submetido a descompressão endoscópica da raiz direita. Com excelente evolução clínica e resolução dos sintomas”, ressaltam Edward e Bastos.
Diante da persistência do quadro atual, os doutores optaram por realizar procedimento cirúrgico minimamente invasivo.
Descompressão endoscópica da estenose lombar em 04.07
Após os cirurgiões identificarem o espaço, via interlaminar, das raízes L4 e L5, introduziram o sistema óptico endoscópico um conjunto de tecnologias usadas para iluminar, visualizar e capturar imagens do interior do corpo ou de cavidades estruturais.
“Procedemos a abertura parcial das lâminas das L4 e L5. Ampliamos o recesso lateral, mediante hemi-facetectomia parcial, o que nos permitiu adequada visualização da raiz descendente L5”.
Após esse procedimento, a raiz L5, foi descomprimida com cuidado em toda a sua circunferência, provocando liberação completa, aproximadamente, no sentido de 9 horas até 3 horas. Sempre mantendo rigoroso controle do sangramento.
“Proveniente do plexo venoso de Batson, uma rede de veias interligadas e sem válvulas que se amplia por toda a coluna vertebral com o objetivo de minimizar sangramento intraoperatório e reduzir a formação de aderências cicatriciais pós-operatórias”, explicam.
Durante o procedimento, a equipe cirúrgica identificou um volumoso cisto facetário, firmemente aderido à face posterior da raiz descendente L5.
“A remoção do cisto foi realizada de forma extremamente cautelosa e progressiva, evitando tensão excessiva sobre a raiz e reduzindo o risco de lesão da dura-máter”
Pós-operatório sem intercorrências
Após, aproximadamente, 2 horas e 20 minutos, os cirurgiões realizaram ampla descompressão da raiz de L5 e do recesso lateral.
“Com adequada mobilidade neural e ausência de compressões residuais, encerramos com sucesso o ato cirúrgico”.
Equipe cirúrgica: Edward Robert Orr e Renato Bastos (cirurgiões ortopédicos), Juliana Cais de Oliveira (anestesiologista) e Erica Torres (instrumentadora cirúrgica).
Informações adicionais e anatômicas da cirurgia
Estenose do canal lateral
Estreitamento da região onde as raízes nervosas saem da coluna vertebral. Esse aperto é causado principalmente pelo desgaste natural e afeta o recesso lateral.
Recesso lateral
É o espaço estreito, logo antes do forame (a saída do nervo). A artrose nas articulações (hipertrofia facetária) costuma fechar essa "calha", espremendo a raiz nervosa.
Raiz descendente L5
É o nervo que passa pelo recesso lateral, antes de sair da coluna e é conhecido como raiz nervosa espinhal. Em exames de Ressonância Magnética (RM) axial (visão de cima), ela aparece comprimida no canto do canal vertebral.
Hemi-facetectomia parcial
Procedimento cirúrgico na coluna vertebral em que uma parte da articulação facetária (responsável pelo movimento e estabilidade) de apenas um lado da vértebra é removida.
Utilizada, principalmente, para descomprimir nervos comprimidos e tratar estenose do canal.
Cisto facetário ou cisto sinovial
É uma pequena bolsa de líquido que se forma devido ao desgaste e frouxidão da articulação. Esse cisto cresce para dentro do canal ou do recesso lateral, gerando uma compressão direta e bem localizada na raiz L5.
Dura-máter
A mais externa, espessa e resistente das três meninges que revestem e protegem o sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal).
Estenose lombar tem solução minimamente invasiva. A Endoscopia por via interlaminar é uma técnica indicada para descompressão de raízes nervosas.
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Fonte: Assessoria de Imprensa, Comunicação e Marketing da Orto Center

